Arlete Mendonça desafia TCE-AM e mantém controle da SEDUC

Arlete Mendonça desafia TCE-AM e mantém controle da SEDUC

Amazonas – O Governo do Amazonas enfrenta um desafio institucional que compromete a transparência necessária na gestão pública. Em março de 2026, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) emitiu uma decisão drástica: recomendar o afastamento cautelar da secretária de Educação, Arlete Ferreira Mendonça, e a suspensão imediato de um contrato de R$ 1,3 bilhão com a fundação Fundagres Inovar. Essa ação urgente surge em resposta a uma contratação bilionária feita sem licitação, que ameaça consumir grandes somas do orçamento estadual sem a devida legalidade. Contudo, após 30 dias, a recomendação parece não ter sido ouvida.

A avaliação técnica do TCE-AM revela falhas sérias que não devem ser negligenciadas. O tribunal destacou a ausência de comprovação de exclusividade por parte da contratada, a falta de justificativa para os valores exorbitantes e o risco de causar um dano irreparável às finanças públicas. Para o TCE-AM, a manutenção do contrato sob a gestão atual é uma ameaça direta ao erário. A medida de afastamento é vista como a única maneira de assegurar que o orçamento da educação não seja esvaziado por um processo administrativo repleto de incertezas.

Entretanto, o que intriga é a inércia do Poder Executivo perante tal alerta. Documentos da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) de abril de 2026 apontam que Arlete Mendonça continua exercendo suas funções como secretária. Ao desconsiderar o posicionamento do Tribunal, o governo estadual não só protege uma administração sob suspeita, mas também cria um precedente perigoso de desrespeito aos mecanismos de fiscalização. A permanência da secretária no cargo não é apenas uma questão administrativa, mas um enigma político que desafia a integridade do TCE-AM.

Nesse contexto, a sociedade amazonense observa um jogo de forças em que a prudência financeira é ignorada. Se o órgão responsável pela fiscalização identifica irregularidades em um montante de R$ 1,3 bilhão, a permanência da cúpula da Seduc transforma-se em um desafio que transcende meras questões administrativas. A incógnita que paira é até quando o governo sustentará uma gestão que, segundo a legislação e a fiscalização externa, já não está apta a gerir os recursos da educação.