A manhã desta segunda-feira (11/5) na Cidade Universitária foi marcada por uma transformação alarmante: a biblioteca da Faculdade de Educação da USP (Feusp) virou um cenário de destruição. O desabamento do teto, provocado pelas intensas chuvas do último domingo, expôs prateleiras e obras raras à inundação e ao caos.
Vídeos que circulam entre membros da comunidade acadêmica ilustram a extensão desse desastre. A biblioteca, que deveria ser um templo do saber, agora exibe buracos no forro e poças d’água que se espalham pelo chão. Servidores estão se mobilizando de maneira improvável, alternando folhas de papel toalha entre as páginas de livros molhados, numa tentativa magistral de secar o acervo e prevenir que mofo comprometa os volumes.
“Isso, sim, é uma violência contra a universidade”, comentou Diana Assunção, uma servidora da faculdade, expressando a indignação que ecoa pelo campus. É um apelo por atenção a uma crise que não é apenas episódica, mas sim acumulativa, evidenciando problemas estruturais que se arrastam por anos.
Crise Estrutural nas Instalações
O desabamento do teto não surgiu como um acidente isolado. A situação se agrava com relatos frequentes de vazamentos crônicos no telhado da biblioteca. O pessoal encarregado da conservação do acervo já havia adotado a prática de cobrir estantes com lonas plásticas ao perceber os primeiros sinais de chuva. Mas, neste caso, essa medida temporária não foi suficiente para conter a força das águas, que invadiram o espaço e fizeram o forro ceder.
A recente finalização de uma licitação para reformas não trouxe o alívio esperado. As obras começaram apenas na semana passada, mas há um sentimento generalizado entre os funcionários de que a resposta institucional foi tardia demais. Desde 2024, a burocracia e a falta de recursos humanos vinham dificultando a realização de reparos necessários. Uma funcionária que preferiu se manter anônima apontou que a agilidade burocrática é igualmente responsável pelo estado crítico do prédio.
Danos e Precarização do Acervo
Os danos estruturais vão além do desabamento do teto. A água afetou os primeiros andares e o térreo, causando danos irreparáveis ao patrimônio acadêmico. O impacto no acervo físico, que abriga obras de valor inestimável, é um reflexo do desprezo por condições adequadas para a pesquisa. A precarização de recursos e a falta de pessoal têm gerado um ambiente pouco propício para as atividades acadêmicas.
Analisando todo o contexto, fica evidente que o incidente não é apenas uma questão de estrutura física, mas também um reflexo de um contexto político mais amplo. Greves e paralisações na universidade por melhores condições de trabalho foram agravos importantes diante de um cenário já complicado, ressaltando a necessidade de ação imediata em diversas frentes.
A Resposta da Comunidade Acadêmica
A resposta à calamidade na biblioteca deve ser uma ação coletiva que vise a salvaguarda não só do acervo, mas também das condições de trabalho para servidores e acadêmicos. É imprescindível que a administração da universidade leve em consideração as vozes de quem cuida e utiliza esses espaços. O que pode parecer um problema local é, na verdade, uma questão que afeta a memória e a herança cultural de toda a comunidade acadêmica.
Até este momento, a Faculdade de Educação não se pronunciou oficialmente sobre a extensão dos prejuízos ou sobre o futuro das obras danificadas. Contudo, a mobilização manual dos funcionários tem sido a única barreira entre o acervo e a destruição completa. O esforço contínuo de preservar o conhecimento e a memória acadêmica nessas condições dramáticas destaca a resiliência da equipe, embora seja fundamental que medidas mais substanciais sejam tomadas para evitar que incidentes similares voltem a acontecer.




