O deputado estadual Adjuto Afonso (União Brasil) conquistou novamente a presidência da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) em um processo que não deixou espaço para questionamentos ou adversários. Na tarde desta quarta-feira (15/7), a sua recondução ao cargo foi apenas um mero rito formal que consolidou seu controle sobre a Casa de Leis até janeiro de 2027.
Com a ausência de concorrência, a votação que terminou com 19 votos a favor e 5 contrários não reflete uma disputa democrática, mas sim um cenário de total submissão aos interesses do Executivo. Para garantir sua posição e silenciar qualquer resquício de oposição, Adjuto contou com o forte lobby e o apoio direto do governador-tampão, Roberto Cidade.
A influência do governo na Assembleia Legislativa
A recente eleição suplementar, que ocorreu devido a intervenções diretas do governo federal, trouxe à tona a fragilidade da institucionailidade local. O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), teve que intervir para impedir que um artifício do Regimento Interno da Aleam assegurasse a posse automática de Adjuto em casos de vacância. Isso resultou na necessidade de uma votação em plenário, na esperança de se garantir um processo mais transparente.
No entanto, a manobra do STF esbarrou novamente nos artifícios do governo estadual, que blindou Adjuto de qualquer debate ou contraponto ao seu nome. Assim, a eleição se tornou um reflexo da política atual do Amazonas, onde a oposição parece ter se tornado uma mera formalidade.
Oportunismo político e controle absoluto
A permanência de Adjuto Afonso na presidência da Aleam é um exemplo claro de oportunismo, em meio a um período de instabilidade política no Amazonas. O cargo foi ocupado por ele após o tumulto institucional gerado pelas renúncias do governador Wilson Lima e do vice Tadeu de Souza, que resultou na ascensão de Roberto Cidade ao governo do estado.
Com isso, Adjuto navegou habilmente nos bastidores da política local, silenciando a emergência de candidatos oposicionistas e assegurando uma fatia significativa de poder. A nova composição da Mesa Diretora agora está fortemente vinculada aos interesses do atual governador, tornando a Assembleia Legislativa um mero apêndice do executivo.
Consequências para a autonomia da Assembleia
A ascensão de Adjuto Afonso à presidência da Aleam levanta sérias questões sobre a autonomia do Legislativo na fiscalização das ações do Executivo. Com o controle absoluto nas mãos dele e de seus aliados, os próximos anos poderão ser marcados pela falta de resistência e de uma verdadeira representação dos interesses da população.
A dinâmica parlamentar, que deveria ser um espaço de debates e de oposição à administração pública, começa a se esvaziar. Isso pode ter consequências diretas na elaboração de leis e na defesa dos direitos dos cidadãos do Amazonas, com a Assembleia Legislativa adotando uma postura cada vez mais conivente com as diretrizes do governador.
Esse controle não é apenas uma questão de cargos, mas reflete um projeto político que visa sufocar qualquer voz divergente no estado, comprometendo a essência do processo democrático. Assim, a figura de Adjuto Afonso se estabelece como uma peça chave em um tabuleiro onde a autonomia da Assembleia Legislativa é aos poucos sendo reduzida a cinzas.
Em suma, a reeleição de Adjuto revela um ciclo de poder e manipulação que pode prejudicar a democracia no Amazonas. À medida que os anos avançam até o término da legislatura, a necessidade de vigilância e de ações assertivas que garantam um espaço real para a oposição se torna cada vez mais essencial.




