Manaus – Gustavo da Silva Albuquerque foi preso na manhã desta terça-feira (28) por policiais do 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP), em Manaus. Segundo as informações preliminares, ele possuía três mandados de prisão preventiva em aberto e também era procurado no âmbito da Operação Usura, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
O suspeito é investigado por possível participação em um esquema de agiotagem e extorsão que teria como principais vítimas servidores públicos, especialmente funcionários ligados ao Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM).
Investigação e esquema criminoso
De acordo com as investigações, Gustavo se apresentava como suposto conselheiro da facção criminosa Comando Vermelho para intimidar pessoas que haviam contraído empréstimos com o grupo. A alegação teria sido utilizada como instrumento de pressão durante as cobranças.
Uma servidora do TJAM relatou ter sido alvo de ameaças frequentes. Entre as intimidações atribuídas aos investigados estavam promessas de sequestrar o filho da vítima e de metralhar um veículo corporativo utilizado pelo tribunal.
A Operação Usura foi realizada na segunda-feira (27) e já havia resultado na prisão de um advogado apontado como possível líder do esquema e de um policial militar investigado por envolvimento com o grupo. Outro homem também foi detido por desacato durante o cumprimento das medidas judiciais.
Agiotagem como prática recorrente
Segundo o Gaeco, os investigados ofereciam empréstimos que poderiam chegar a R$ 200 mil, cobrando juros mensais entre 30% e 70%. Quando as vítimas não conseguiam cumprir os pagamentos exigidos, passavam a sofrer ameaças, constrangimentos e outras formas de intimidação.
O caso possui ligação com outra operação realizada em fevereiro, quando seis homens foram presos sob suspeita de agiotagem contra servidores do Poder Judiciário estadual. As investigações apontam que as ameaças contra funcionários do TJAM já vinham sendo relatadas há vários meses.
Consequências e próximas etapas
Após a prisão, Gustavo foi encaminhado ao 1º DIP para os procedimentos legais e deverá permanecer à disposição da Justiça. A Polícia Civil e o Ministério Público continuam apurando a atuação de outros possíveis integrantes, a movimentação financeira do grupo e a participação atribuída a cada investigado.
As acusações ainda serão analisadas no curso do processo, e os investigados têm direito à defesa. O caso levanta questões importantes sobre a vulnerabilidade dos servidores públicos em relação a práticas criminosas como a agiotagem, que interferem diretamente na integridade e segurança de suas funções.
A situação evidencia a necessidade de investigações rigorosas e a implementação de medidas efetivas de proteção a esses profissionais, que devem estar livres de pressões e ameaças externas para desempenhar suas funções de forma adequada. A continuidade das operações e a responsabilização dos envolvidos são passos cruciais na luta contra a criminalidade organizada na região.




