Manaus — O clima nos bastidores da política amazonense atingiu o ponto de fervura. Isolada dentro de seu próprio partido e assistindo ao desembarque de deputados e vereadores do PL-AM para o grupo de adversários, a pré-candidata Maria do Carmo decidiu partir para o ataque. Em um vídeo contundente publicado nas redes sociais, ela mirou os canhões contra a pré-campanha do deputado Roberto Cidade, denunciando o que classificou como “campanha suja” e expondo supostos crimes eleitorais.
A ofensiva de Maria do Carmo ocorre em um momento de racha aberto no PL-AM. O sinal mais definitivo desse distanciamento foi dado pelo deputado estadual Delegado Péricles. Após se recusar a participar dos vídeos institucionais da sigla em apoio a Maria do Carmo, mandando indiretas de que “apoio não se impõe”, Péricles apareceu publicamente ao lado de Roberto Cidade durante os desdobramentos da grande operação policial que apreendeu mais de 2,5 toneladas de cocaína no Rio Solimões.
A aparição conjunta de Péricles e Cidade na pauta de segurança pública selou o isolamento de Maria do Carmo, que também perdeu o apoio presencial de nomes como Cabo Maciel, Raiff Matos e Coronel Rosses.
“É grave, muito grave”
Diante da debandada em seu palanque e da aproximação de seus antigos correligionários com o grupo rival, Maria do Carmo respondeu em tom de denúncia e alertou que o caso terá “consequências seríssimas na Justiça”.
No vídeo, a pré-candidata exibiu imagens que flagram uma suposta distribuição noturna de cestas básicas logo após a realização de um evento político produzido pela equipe de Roberto Cidade. Segundo ela, os mantimentos teriam saído de um galpão ligado a aliados de Wilson Lima, a quem ela chamou de “duas vezes o pior governador do Brasil”.
Uso da máquina pública e denúncia no Ministério Público
O ponto mais sensível do dossiê apresentado por Maria do Carmo envolve a suspeita de uso irregular de bens públicos. Em uma das fotografias, é possível identificar a placa de um veículo no local da entrega das cestas básicas. Uma consulta mostrou que o carro está registrado oficialmente em nome da Polícia Militar do Estado do Amazonas. “Que história é essa? Desde quando programa social, estrutura pública e evento político podem aparecer na mesma fotografia?”, questionou a pré-candidata, prometendo não se calar.
Maria do Carmo confirmou que protocolou formalmente uma representação na Procuradoria Regional Eleitoral do Amazonas (PRE-AM) para que o caso seja investigado. O episódio escancara que a disputa no estado migrou definitivamente para os tribunais e para a guerra de narrativas, enquanto o PL local tenta conter a sangria interna de seus parlamentares de mandato.




