Manaus – O quadro da saúde pública em Manaus revela a urgência de melhorias, especialmente para aqueles que precisam de atendimento médico imediato. A experiência de pacientes na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) José Rodrigues, na zona Norte, destaca um sistema de saúde à beira do colapso.
A equipe do Portal CM7 Brasil acompanhou diversos casos de usuários que, ao buscarem socorro, enfrentaram a suspensão de serviços ou foram redirecionados para outras unidades. A situação se agrava à medida que pacientes são obrigados a pular de uma UPA para outra.
Desespero em Busca de Atendimento
Um exemplo preocupante é o de um homem que buscava atendimento para drenagem de um furúnculo na coxa. Devido à dor intensa, ele não conseguia trabalhar e fez uma verdadeira peregrinação por diversos locais.
Depois de passar pelo SPA do Coroado, onde informaram que o procedimento estava suspenso, ele foi ao SPA do Galileia, onde também não havia cirurgião disponível. Ao finalmente chegar à UPA José Rodrigues, o quadro era o mesmo: falta de atendimento. “Estou gastando dinheiro em transporte que não posso perder. Estou desempregado e só quero me curar para voltar a trabalhar”, desabafou ele.
Situação de Ignorância e Faltas de Profissionais
A insatisfação também foi sentida por uma jovem que, após sofrer um acidente de moto, foi à procura de um exame de raio-X. Assim como o homem, ela foi redirecionada entre as unidades, apenas para ser novamente informada sobre a falta de profissionais. “A gente gasta com transporte e acaba sendo tratado com desrespeito. É frustrante. Estamos apenas sendo enviados para longe”, relatou.
Na UPA, funcionários mencionaram que ninguém seria atendido devido à escassez de pessoal, gerando ainda mais tensão no ambiente. Estas experiências revelam uma grave falha no sistema de saúde local, que não só falta diagnóstico, mas também acolhimento ao paciente.
Crise no Atendimento à Saúde
A triagem na UPA José Rodrigues agora foca apenas em casos emergenciais, como crises hipertensivas e diabetes descontrolada. Pacientes com queixas menores estão sendo enviados para casa sem qualquer assistência, intensificando o sentimento de abandono.
A justificativa para a restrição nos atendimentos é clara: a infraestrutura dos serviços de saúde está sucateada, e as condições de trabalho dos profissionais são alarmantes. Informes de funcionários indicam que muitos deles não recebem salários há meses, o que pode levar a uma greves futuras.
Uma usuária, que acompanhava sua filha às consultas, expressou empatia pelos médicos e equipes de atendimento. “O que esses profissionais estão passando é inaceitável. Eles fazem o melhor que podem, mas quem aguenta oito meses sem receber?” disse Cristina. Essas condições de trabalho têm consequências diretas sobre a qualidade do atendimento oferecido à população.
Desabastecimento e Mobilização de Recursos
O quadro de crise na UPA José Rodrigues não é um fenômeno isolado. Outras unidades de saúde em Manaus, como o SPA do Coroado, também apresentam escassez de insumos essenciais. Médicos e enfermeiros estão organizando “cotinhas” entre si para a aquisição de materiais básicos, como máscaras e medicamentos.
Enquanto o impasse financeiro e administrativo persiste, os corredores das UPAs permanecem abarrotados. Esta realidade contradiz o que se espera de um sistema de saúde capaz de atender eficazmente a sua população. As reivindicações por melhores salários e condições de trabalho fazem parte do dia a dia, mas sem investimento e interesse por parte dos gestores, a situação tende a piorar.
A luta pela melhoria no sistema de saúde em Manaus se intensifica, exigindo não apenas ações rápidas, mas um entendimento profundo da realidade enfrentada por seus trabalhadores e usuários. Os relatos de desespero e falta de assistência precisam ser ouvidos e tratados com a seriedade que merecem.

