Ícone do site Atitude Manaus

O risco na palma da mão: como proteger jovens online

O risco na palma da mão: como proteger jovens online

A internet e os perigos digitais

Mundo – A internet transformou o celular em uma porta de entrada para um universo praticamente sem limites. Em poucos segundos, crianças e adolescentes podem acessar jogos, redes sociais, grupos fechados, vídeos, transmissões ao vivo e conversar com desconhecidos. O problema começa quando esse acesso acontece sem acompanhamento ativo dos pais ou responsáveis. Neste contexto, é crucial entender os perigos digitais que podem surgir dessa interação.

O risco não está apenas no tempo excessivo de tela. Ele está principalmente em quem está do outro lado, no tipo de conteúdo consumido e na facilidade com que jovens podem ser atraídos para ambientes privados, onde adultos mal-intencionados se aproveitam da confiança, da curiosidade e da vulnerabilidade de quem ainda está em formação. Por isso, a necessidade de supervisão é vital.

Padrões de interação digital

Uma investigação envolvendo o Discord reforçou esse alerta. Segundo a delegada Lisandrea Salvariego, coordenadora do Núcleo de Observação e Análise Digital da Polícia Civil de São Paulo, criminosos podem iniciar a aproximação dentro de jogos considerados aparentemente inofensivos e, posteriormente, levar crianças e adolescentes para plataformas com grupos mais fechados. Esta dinâmica é representativa dos novos padrões de interação que a tecnologia trouxe.

É justamente aí que surge uma preocupação que muitas famílias ainda subestimam: o celular pode colocar um jovem diante de perigos tão graves quanto aqueles encontrados fora de casa. Durante décadas, pais aprenderam a perguntar onde o filho estava, com quem estava andando e a que horas voltaria. No ambiente digital, essas mesmas perguntas continuam necessárias.

Os sinais de alerta

A diferença é que agora o adolescente pode estar fisicamente dentro do quarto, enquanto conversa com dezenas ou centenas de desconhecidos de diferentes cidades e até países. O quarto pode estar com a porta fechada, mas o mundo inteiro está dentro daquele aparelho.

Entre os riscos relatados por autoridades estão aliciamento, chantagem com imagens íntimas, exposição a conteúdos violentos, incentivo à automutilação e diferentes formas de exploração sexual. A chamada sextorsão, por exemplo, pode começar quando alguém conquista a confiança da vítima, recebe imagens íntimas e depois passa a ameaçá-la para conseguir novas fotos, vídeos ou outras condutas.

Os números também ajudam a dimensionar o problema. Dados do Núcleo de Observação e Análise Digital da Polícia Civil de São Paulo apontaram crescimento de 78% no número de crianças e adolescentes vítimas de crimes digitais durante um período de férias escolares, passando de 89 para 158 casos. Esse aumento é alarmante e reflete a necessidade de um olhar mais atento para a segurança digital dos jovens.

A supervisão necessária

Isso não significa que jogos, redes sociais ou plataformas de conversa sejam, por definição, ambientes criminosos. O próprio Discord afirma possuir regras de proteção para menores, mecanismos de denúncia, ferramentas automatizadas de detecção e políticas contra aliciamento e exploração. Porém, nenhuma ferramenta tecnológica substitui completamente a presença dos responsáveis.

Supervisionar não significa simplesmente proibir. Significa conhecer os aplicativos usados pelos filhos, entender com quem eles conversam, estabelecer limites de horário, orientar sobre exposição de imagens e dados pessoais, além de construir confiança suficiente para que o jovem procure ajuda quando algo estranho acontecer.

Pais também precisam perceber mudanças de comportamento: isolamento repentino, medo de entregar o celular, ansiedade após receber mensagens, pedidos incomuns de dinheiro ou abandono das atividades habituais podem justificar uma conversa mais cuidadosa sobre o que está acontecendo online.

A tecnologia trouxe oportunidades extraordinárias de aprendizagem, diversão e comunicação. Mas o consumo desenfreado e sem orientação abriu também uma nova dimensão de riscos. Hoje, proteger um filho não é apenas saber onde ele está fisicamente. É também saber onde ele está digitalmente.

Porque, dentro de um aparelho que cabe na palma da mão, existe um mundo inteiro — e esse mundo pode ser tão perigoso quanto, ou até mais perigoso que, determinadas situações encontradas na vida real.

Sair da versão mobile