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“Tudo parado!”: motociclistas protestam contra PL 152/2025 em Manaus

“Tudo parado!”: motociclistas protestam contra PL 152/2025 em Manaus

Manaus — O asfalto da Avenida das Torres, um dos principais eixos viários da capital amazonense, foi tomado na manhã desta terça-feira (14/4) por um mar de capacetes e veículos. O motivo? Uma mega paralisação liderada por motoristas e motociclistas de aplicativo que protestam contra o Projeto de Lei 152/2025. A categoria alega que a proposta, que tramita em Brasília, ameaça a sobrevivência financeira de milhares de famílias sob o pretexto de regulamentação.

A concentração ocorreu ao lado do antigo Decreto e seguiu em comboio em direção à Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM). O clima é de indignação. Entre os manifestantes, o sentimento é de que o Governo Federal tenta “empurrar goela abaixo” uma carga tributária insustentável que ignora a realidade local, como o alto preço dos combustíveis e a infraestrutura precária das ruas.

Os Riscos da Nova Regulamentação

O PL 152/2025 é considerado uma ameaça direta aos profissionais do transporte por aplicativo. A proposta é vista como uma extensão da controversa Lei 12/2024. Segundo representantes do movimento, o texto abre brechas perigosas para que as plataformas retirem uma média de 30% do faturamento semanal dos trabalhadores de forma legalizada. “O principal motivo desta manifestação é que o projeto agride diretamente o ganho do motorista. Ele dá legalidade para a plataforma descontar valores que hoje já são altos, mas que se tornariam oficiais e ainda maiores”, explicou um dos líderes do ato.

Além do impacto financeiro, a imposição de carga horária tem gerado grande discordância. Para muitos, a “uberização” só é viável pela flexibilidade. Muitos profissionais utilizam o aplicativo como renda complementar ou conciliam com outros empregos; a rigidez de horários poderia acabar com a autonomia da categoria.

Custo de Vida e Desafios Diários

Nas entrevistas concedidas durante o ato, os desabafos foram unânimes: os custos operacionais estão engolindo o lucro. Com a gasolina beirando patamares críticos e o IPVA pesando no bolso, o rendimento líquido tem caído drasticamente. O aumento constante do diesel e da gasolina é um dos principais vilões, e motoristas também relatam insegurança ao trabalhar em áreas de risco, além do aumento no custo de manutenção de veículos.

Pressão na ALEAM

O objetivo do comboio até a Assembleia Legislativa é pressionar a bancada federal do Amazonas. A categoria exige a realização imediata de uma audiência pública antes que o texto siga para votação definitiva no Congresso. “Não queremos que decidam por nós em escritórios com ar-condicionado em Brasília sem saber o que passamos no sol e na chuva de Manaus”, afirmou um motociclista durante o trajeto. Para os que dependem do transporte por aplicativo, a recomendação é paciência; com a paralisação de grande parte da frota, o tempo de espera nas plataformas aumentou e os preços dinâmicos subiram. No entanto, para os manifestantes, esse é o único caminho para garantir que, no futuro, o serviço continue existindo de forma justa para quem dirige e para quem utiliza.

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