Amazonas – O discurso de boas-vindas aos novos magistrados do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) revelou uma mensagem inesperada, marcada por sinceridade e desafios. O governador interino Roberto Cidade, ao receber os novos juízes, iniciou uma reflexão sobre as dificuldades enfrentadas por aqueles que deixarão Manaus para atuar nas comarcas do interior. Este momento, que deveria ser de celebração, transformou-se em uma crítica velada à realidade enfrentada por muitos no estado.
Diante de autoridades como o presidente do TJAM, Jomar Fernandes, e o corregedor-geral, José Hamilton Saraiva, Cidade não hesitou em destacar as dificuldades logísticas e a falta de infraestrutura nas localidades fora da capital: “Vocês vão passar muitas dificuldades no interior, principalmente por questões de logística, principalmente por não ter o que nós temos aqui na capital…”.
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A afirmação do governador ressoou nos bastidores políticos como um aviso sobre as deficiências do sistema. Ao reconhecer que o interior do Amazonas carece do básico, Cidade, de certa forma, admitiu a ineficiência do agrupamento político que lidera. Esta declaração lançou uma sombra sobre o discurso de eficiência que o Governo tenta perpetuar, revelando um contraste entre as conquistas alardeadas e a realidade enfrentada por juízes e cidadãos fora da capital.
O impacto das declarações
A fala de Roberto Cidade acendeu um alerta sobre a disparidade entre Manaus e o interior do estado. Em um evento onde se discutiam avanços como a Semana Nacional do Registro Civil e a expansão dos PACs, a franqueza do governador serviu como um lembrete de que a situação nas cidades do interior ainda está estagnada. Apesar da emissão de mais de 1 milhão de Carteiras de Identidade Nacional, a realidade é que muitos ainda estão à mercê de uma infraestrutura deficiente.
Contradições na narrativa governamental
O discurso de Roberto Cidade expõe contradições na narrativa oficial do governo. Enquanto se celebram números e iniciativas voltadas para a cidadania, a confissão de dificuldades no interior mostra que a promessa de igualdade e desenvolvimento ainda está longe de ser alcançada. A realidade é que, enquanto a capital brilha, o restante do estado vive momentos de abandono e descaso.
Conclusão
A sinceridade do governador interino, embora admirável, traz à tona as fragilidades do legado político vigente. Ao admitir abertamente os desafios enfrentados por quem atua no interior, ele não só fornece um alerta aos novos juízes, mas também coloca em evidência a necessidade urgente de transformação e investimento em uma infraestrutura que realmente atenda a todos os amazonenses, e não apenas àqueles que vivem na capital.

