Manaus – A recente decisão liminar da Justiça Eleitoral do Amazonas suspendeu a divulgação da pesquisa AM-03377/2026, do Instituto Veritá Ltda. O levantamento, que havia sido divulgado no final de abril, mostrava a empresária e pré-candidata Maria do Carmo Seffair (PL) liderando a disputa pelo Governo do Amazonas nas próximas eleições de 2026.
Essa medida foi tomada em resposta a uma representação do Partido Social Democrático (PSD), sob a liderança do senador Omar Aziz, um dos pré-candidatos ao governo. A ordem, resultante da análise da juíza Maria Auxiliadora Benigno, gerou discussões intensas no cenário político local, especialmente em função das falhas técnicas identificadas na pesquisa, assim como do histórico profissional da magistrada.
Irregularidades na pesquisa eleitoral
A ação movida pelo PSD alegava sérias inconsistências na base de dados utilizada pelo Instituto Veritá. Um relatório técnico que sustentou a decisão informou que, das 1.220 entrevistas contabilizadas, cerca de 380 apresentavam registros idênticos em todos os 28 campos avaliados. Esse tipo de duplicação foi considerado suficientemente elevado para levantar suspeitas sobre a validade da pesquisa.
Na sua análise, a juíza Maria Auxiliadora deixou clara sua preocupação. Segundo ela, a quantidade de repetições sugere uma replicação artificial de informações, algo que seria estatisticamente improvável em pesquisa de campo regular. O relatório ainda destacou outras irregularidades:
- Incompatibilidade de datas: Segundo o registro, as entrevistas foram realizadas entre 23 e 28 de abril de 2026, mas dados da pesquisa não mostraram nenhuma coleta no dia 23.
- Apagão na auditoria: O Instituto Veritá afirmou que 20% dos dados coletados foram auditados por telefone, mas o campo destinado aos números de contato estava vazio.
- Contradições metodológicas: Foram verificadas incoerências entre as metodologias aplicadas na seleção dos entrevistados, levando a suscitar mais dúvidas sobre a integridade do levantamento.
A juíza estabeleceu uma multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento da suspensão, e o caso será encaminhado ao Ministério Público Eleitoral (MPE) e ao Conselho Regional de Estatística para que sejam apuradas as responsabilidades.
Conexões da juíza com o PSD
Além das questões técnicas em debate, os bastidores políticos ficaram ainda mais fervorosos pela revelação do passado profissional da juíza Maria Auxiliadora Benigno. Antes de sua atuação no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM), ela trabalhou como advogada em campanhas do PSD e do senador Omar Aziz, que atualmente tenta viabilizar sua candidatura ao governo.
Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que a juíza recebeu R$ 200 mil por serviços prestados à campanha de reeleição de Aziz em 2022. Esse histórico gerou críticas por parte da oposição, que questionou a imparcialidade da decisão. A proximidade da magistrada com um dos principais representantes da ação, um adversário direto da pré-candidata Maria do Carmo, despertou preocupações sobre a lisura do processo judicial.
Reflexos nas eleições de 2026
A pesquisa do Instituto Veritá tinha um impacto significativo na estratégia eleitoral do Amazonas, com Maria do Carmo Seffair figurando como a líder, seguida pelo senador Omar Aziz, pelo ex-prefeito David Almeida (Avante) e pelo governador Roberto Cidade (União Brasil). A suspensão da divulgação dos dados pode alterar o cenário inicial da pré-campanha.
Atualmente, a decisão liminar impede a circulação dos números, enquanto a Corte deverá avaliar o mérito sobre a confiabilidade da pesquisa e a legalidade da atuação do instituto em questão. A expectativa agora é de como essa situação influenciará a dinâmica da pré-campanha, especialmente com o cenário ainda em estado de definição.
Como a decisão possui caráter liminar, a discussão sobre a validade do levantamento e as suas implicações continua em aberto. Observadores e analistas políticos monitoram de perto todos os desdobramentos desse caso que promete moldar o futuro político do Amazonas nas próximas eleições.

