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Caso Camila Kellem: pai faz apelo por repatriação do corpo

Caso Camila Kellem: pai faz apelo por repatriação do corpo

Manaus – O assassinato brutal de Camila Kellem da Silva Caldas, de 34 anos, chocou a comunidade amazonense e transformou a rotina da família em uma dolorosa corrida contra a burocracia internacional e a angústia da distância. Morta em 28 de julho de 2026, em Barcelona, no distrito de Sant Martí, Camila foi vítima de feminicídio dentro de sua própria casa. Enquanto as autoridades locais conduzem as investigações e a prisão preventiva de seu companheiro, principal suspeito, em Manaus, um forte movimento de solidariedade surge para possibilitar o retorno do corpo da administradora e de seus dois filhos pequenos ao Amazonas.

Na manhã de quarta-feira (29), antes de embarcar no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes rumo à Espanha, o pai de Camila, Warney Poty Caldas, fez um apelo público e emocionado. Visivelmente abalado pelo crime brutal, que ocorreu na presença de seus netos, ele expressou gratidão pelas doações já recebidas de amigos, familiares e desconhecidos sensibilizados pela tragédia. Contudo, reafirmou que os custos para o translado internacional e os trâmites legais são elevados. “Quero agradecer o apoio às pessoas que já contribuíram. Não é barato o translado das crianças e do corpo da minha filha para Manaus. Quem puder ajudar, estamos nos mobilizando para fazer o velório dela aqui em Manaus e ficar com a guarda definitiva das crianças. Estou embarcando agora com a minha esposa rumo a Barcelona para resolver toda essa situação”, destacou.

A dinâmica do crime e a comoção em Barcelona

Camila Kellem, formada em Administração, natural do Amazonas e descrita como uma mulher alegre e dedicada à maternidade, havia construído sua vida na Espanha há cerca de uma década. Sua trajetória de esforço e superação foi abruptamente interrompida em seu apartamento na Rua Andrade, onde o crime ocorreu.

Conforme informações preliminares veiculadas pela imprensa espanhola e investigações dos Mossos d’Esquadra — a polícia autônoma da Catalunha —, o companheiro de Camila estacionou uma van em frente ao edifício antes de subir. No interior do apartamento, ele desferiu múltiplos golpes de faca contra Camila, com as duas crianças presentes no local. Após o ataque, o suspeito fugiu, mas foi detido em uma rápida operação policial horas depois, permanecendo sob custódia da Justiça espanhola.

Em Manaus, o irmão de Camila, Waldson Caldas, compartilhou o sentimento de devastação que entrou na família e cobrou rigor nas investigações. A prioridade da família é proteger as crianças do trauma e garantir que cresçam amparadas pelo carinho dos avós maternos na capital amazonense.

Mobilização da Comunidade e Translado Internacional

A morte de Camila mobilizou uma rede de apoio significativa, formada por cidadãos amazonenses e pela comunidade brasileira na Espanha. O translado de um corpo, além da regularização dos menores em um processo criminal transnacional, envolve custos elevados devido a taxas aeroportuárias, consulares e funerárias, bem como deslocamentos internacionais. Essa rede solidária tem sido fundamental para a família Caldas neste momento de luto.

Enquanto o Ministério Público espanhol se prepara para formular a acusação contra o agressor pelo crime de feminicídio agravado, a expectativa em Manaus gira em torno da liberação oficial das autoridades forenses de Barcelona, que permitirá o retorno de Camila a sua terra natal para as últimas homenagens. O sentimento de urgência permeia a situação, pois a família luta para oferecer um velório digno à sua amada.

Repercussão oficial na Espanha

O caso de Camila não parou apenas nos limites da tragédia familiar, mas reverberou até o alto escalão do governo catalão. A Delegação do Governo contra a Violência de Gênero classificou o crime como feminicídio, marcando o quarto assassinato de mulheres por violência de gênero registrado na Catalunha em 2026. O presidente da Generalitat da Catalunha, Salvador Illa, manifestou solidariedade aos familiares e reiterou que a impunidade em casos de violência doméstica não será tolerada. Em um pronunciamento nas redes sociais, Illa destacou que “a violência contra as mulheres exige uma resposta firme, unitária e constante” de toda a sociedade e das instituições de Estado.

A ministra da Igualdade e do Feminismo da Catalunha, Eva Menor, também prestou assistência institucional preliminar e condenou veementemente a agressão. A união de vozes públicas, aliados a protestos e manifestações em solidariedade à vítima, tem dado destaque ao combate à violência de gênero, que permanece um tema premente e angustiante.

Resumo do Caso • O Que Se Sabe Até Agora

  • Vítima: Camila Kellem da Silva Caldas, amazonense, 34 anos, formada em Administração, residente há 10 anos em Barcelona.
  • Local e Data: Rua Andrade, distrito de Sant Martí (Barcelona), em 28 de julho de 2026.
  • Suspeito: Companheiro de Camila, preso em flagrante por Mossos d’Esquadra poucas horas após o crime.
  • Testemunhas: Os filhos de Camila, de 4 e 8 anos, que estavam na residência durante o ataque.
  • Situação Atual: Família de Camila viajou para a Espanha para garantir a proteção legal das crianças e coordenar o translado do corpo para o velório em Manaus.

A luta por justiça para Camila Kellem da Silva Caldas e a proteção dos seus filhos é um reflexo da batalha contra a desigualdade de gênero e a necessidade de um sistema que acolha e proteja suas vítimas. O envolvimento da comunidade e autoridades é vital para que casos como esse não permaneçam impunes, garantindo que a memória de Camila e outras mulheres que sofreram violencia de gênero não sejam esquecidas.

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