O fenômeno El Niño pode impactar significativamente o custo dos alimentos no Brasil, elevando os preços nos próximos meses. Segundo uma análise do Rabobank, a alta nos preços tende a atingir seu pico até seis meses após o início das mudanças climáticas no país, afetando principalmente produtos in natura, como carnes, frutas e hortaliças.
Expectativa de aumento de preços
Com base no estudo, o aumento dos preços é proporcional à intensidade do El Niño. Se a situação for classificada como um El Niño forte, os produtos in natura poderão ter um aumento de até 19,9%. Isso implicaria em um aumento de 6,32% nos gastos das famílias com alimentação. Tal impacto pode acrescentar 0,83 ponto percentual ao IPCA, um índice que mede a inflação no Brasil. Em um cenário de El Niño moderado, os alimentos frescos poderiam subir cerca de 13,4%, contribuindo com aproximadamente 0,41 ponto percentual para a inflação.
Como o tipo de alimento é afetado
A rapidez com que os efeitos climáticos influenciam os preços varia de acordo com o nível de processamento dos alimentos. Os produtos frescos são mais suscetíveis a essas mudanças, já que possuem ciclos de cultivo mais curtos. Entre os itens mais vulneráveis estão as hortaliças, que apresentam sensibilidade significativa às alterações de temperatura e volume de chuvas.
Por outro lado, alimentos semi-elaborados como arroz e feijão absorvem os impactos de forma mais gradual. Isso se deve, em grande parte, ao aumento dos custos dos insumos necessários para a produção. Os produtos industrializados, em geral, mostram oscilações de preços mais moderadas, uma vez que seus valores também dependem de fatores como logística e embalagens.
Mudanças por região
O impacto do El Niño não será uniforme em todo o Brasil. Grandes centros urbanos com alto consumo e produção agrícola devem sentir os efeitos mais rapidamente. Cidades como Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia, Brasília, Fortaleza e Belém devem perceber a pressão sobre os preços antes de outras localidades. Em contrapartida, em lugares como Salvador e Recife, o repasse aos consumidores pode ocorrer de forma mais lenta, mas com um efeito prolongado.
Além disso, análises do Itaú BBA e do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) apontam riscos específicos para culturas como milho, café, laranja, cana-de-açúcar, trigo, arroz e leite. Nas regiões Norte e Centro-Oeste, é esperado que períodos prolongados de seca comprometam a qualidade das pastagens utilizadas na pecuária. Enquanto isso, no Sul, o excesso de chuvas pode, em algumas ocasiões, beneficiar certas culturas de inverno.
Impactos econômicos e sociais
Assim, é claro que os efeitos do El Niño vão além da produção agrícola e podem impactar toda a cadeia de alimentos. Essa dinâmica deve ser monitorada cuidadosamente, pois o aumento nos preços será sentido pelo consumidor final nos próximos meses. As famílias devem estar preparadas para ajustar seus orçamentos em função das mudanças que estão por vir.

