O interesse dos brasileiros em residir no Paraguai cresceu consideravelmente, refletido em um notável aumento das buscas online pelo termo “como viver no Paraguai”. Essa pesquisa indicativa, segundo dados do Google Trends, mostrou um aumento de 1.700%, apontando para uma tendência crescente no desejo de deixar o Brasil. Preocupações com o futuro econômico, a alta carga tributária e as incertezas financeiras em relação a 2027 estão levando cada vez mais cidadãos a investigar alternativas de residência e trabalho fora do país.
Embora essas consultas não representem uma movimentação imediata, o crescimento demonstra uma busca acentuada por informações sobre opções viáveis de vida e oportunidades de investimento. O cenário econômico atual, aliado às incertezas fiscais e à vontade de empreender com mais liberdade, influencia as decisões de mudança. Para muitos brasileiros, o Paraguai surge como uma alternativa atrativa devido à proximidade geográfica e regras migratórias favorecidas pelo Mercosul.
Brasileiros e as autorizações de residência no Paraguai
A procura pelo Paraguai não é uma novidade. De acordo com a Direção Nacional de Migrações do país, foram concedidas aproximadamente 40,6 mil autorizações de residência a estrangeiros em 2025, com cerca de 23,5 mil dessas autorizações destinadas a cidadãos brasileiros. Este número representa 58% das liberações feitas pela entidade. No primeiro trimestre de 2026, outros 9,2 mil brasileiros também conseguiram garantir a residência legal.
Além disso, uma estimativa do governo brasileiro em 2023 indicava que mais de 263 mil compatriotas já residiam no Paraguai. Essa presença significativa é evidenciada em cidades como Ciudad del Este, Presidente Franco, Hernandarias e Assunção, lugares que têm atraído brasileiros em busca de novas oportunidades e que possibilitam a manutenção de vínculos com o Brasil.
Os atrativos fiscais do Paraguai
Um dos fatores que atrai empresários e trabalhadores ao Paraguai é o seu sistema tributário simplificado, conhecido como “triplo 10”. Esse modelo estabelece alíquotas de 10% para o imposto de renda das empresas, imposto sobre a renda pessoal e Imposto sobre o Valor Agregado (IVA). Isso contrasta fortemente com a estrutura complexa e onerosa da tributação no Brasil, onde a incerteza fiscal pode complicar as decisões de investimento e expansão.
Outro aspecto que contribui para o interesse de empresas brasileiras é a famosa Lei de Maquila, que beneficia quem produz para exportação, oferecendo uma carga tributária reduzida de apenas 1% sob certas condições. No entanto, é importante ressaltar que essas vantagens exigem um cumprimento rigoroso das exigências legais estabelecidas pelo governo paraguaio.
Incertezas na economia brasileira para 2027
As expectativas em relação à economia do Brasil para 2027 também aumentam a discussão sobre a migração. Os altos juros, a inflação e o endividamento das famílias geram preocupação significativa na população. As decisões fiscais recentes do governo federal têm gerado divisões: enquanto o governo defende a necessidade de aumentar a arrecadação para equilibrar as contas, críticos argumentam que isso tem reduzido a renda disponível dos cidadãos.
O futuro econômico ainda é incerto. Questões macoeconômicas, como possíveis correções nos investimentos em tecnologia na China, podem impactar diretamente o Brasil. Além disso, conflitos geopolíticos podem influenciar os preços de energia e matérias-primas, afetando tanto o Brasil quanto o Paraguai.
O planejamento necessário para a mudança
Mudar-se para o Paraguai exige um planejamento meticuloso, especialmente no que diz respeito ao aspecto financeiro e burocrático. Os brasileiros podem solicitar residência formal por meio dos mecanismos do Mercosul, apresentando a documentação adequada e cumprindo as leis locais. Antes de realizar a mudança, é crucial pesquisar os custos relativos a aluguel, alimentação, transporte e saúde, tanto no setor público quanto privado.
- A residência migratória no Paraguai não encerra automaticamente a residência fiscal no Brasil.
- Quem pretende sair definitivamente deve checar os procedimentos oficiais de saída junto à Receita Federal.
- Empresários devem considerar custos operacionais, logística transfronteiriça e contratação de mão de obra em suas avaliações.
- Uma alíquota menor não garante, por si só, uma maior rentabilidade financeira.
O crescente interesse pela ideia de viver no Paraguai representa uma discussão significativa sobre a liberdade de escolher onde residir e investir. Em uma realidade globalizada, comparar as condições entre países e optar por alternativas mais favoráveis é uma escolha legítima. O Paraguai oferece opções atrativas para muitos perfis, mas enfrenta desafios econômicos semelhantes aos do Brasil. Portanto, esse movimento migratório deve servir como um alerta para o Brasil, que precisa tornar seu ambiente mais propício a investimentos e empreendedorismo se quiser reter seus cidadãos e investidores.

